No Transformando a Dor, mães, pais e familiares compartilham experiências e vivências em encontros conduzidos pela equipe de Psicologia da AACC/MS
A perda de um filho não termina com as homenagens, mensagens de apoio ou visitas dos primeiros dias. Para muitas famílias, a saudade permanece e falar sobre ela se torna parte do processo de seguir em frente.
Para oferecer esse espaço de escuta e acolhimento, a AACC/MS mantém o grupo Transformando a Dor, voltado a familiares que vivenciam o luto após a perda de crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer.
Esse trabalho se conecta ao Julho Âmbar, mês de conscientização sobre o luto parental. Segundo a psicóloga da AACC/MS, Rozenilda Barbosa, o sofrimento da perda persiste mesmo quando o tema deixa de ser abordado pelas pessoas ao redor.
“Muitas mães nos contam que, com o passar do tempo, sentem que já não têm mais com quem compartilhar essa saudade. E é justamente por isso que espaços de escuta são tão importantes”.
Transformando a Dor
Os encontros do grupo acontecem principalmente de forma online e reúnem familiares que compartilham experiências e sentimentos relacionados ao processo de luto. Para quem prefere um acompanhamento individual, a instituição também oferece suporte psicológico personalizado.
O trabalho integra a assistência da equipe de Psicologia da AACC/MS, que acompanha crianças, adolescentes e familiares desde o diagnóstico, durante o tratamento e também nos casos de óbito.
“Quando uma criança passa pela AACC/MS, ela deixa marcas em todos nós. E quando uma família enfrenta a perda, ela continua precisando de acolhimento. Porque ninguém deveria atravessar essa dor sozinho”, destaca a presidente e fundadora da instituição, Mirian Comparin Corrêa.
O suporte inclui atendimentos individuais, atividades terapêuticas, visitas hospitalares e domiciliares, além da atuação integrada com a equipe multiprofissional.
Câncer infantojuvenil exige atenção aos sinais
O câncer é a principal causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos no Brasil. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 7.560 novos casos por ano no país entre 2026 e 2028.
Segundo o Dr. Marcelo dos Santos Souza, oncologista pediátrico responsável pelo Centro de Tratamento Onco Hematológico Infantil (CETOHI), reconhecer os sinais da doença e iniciar o tratamento o quanto antes melhora o prognóstico dos pacientes e aumenta significativamente as chances de cura.
“Apesar dos avanços no tratamento, o diagnóstico precoce segue decisivo. Quando identificado rapidamente e tratado em centros especializados, o câncer infantojuvenil pode alcançar índices de cura superiores a 80%”.
Entre os principais sinais de alerta estão perda de peso sem causa aparente, manchas roxas ou sangramentos sem trauma, febre prolongada, dores persistentes nos ossos e articulações, vômitos com dor de cabeça, alterações visuais, perda de equilíbrio e aparecimento de caroços, especialmente no abdômen.
Referência no tratamento oncológico pediátrico em Mato Grosso do Sul, o CETOHI já atendeu, em 26 anos de funcionamento, mais de 2.200 crianças e adolescentes de 0 a 18 anos com câncer e mais de 2.000 crianças com doenças hematológicas.
Anualmente, são estimados cerca de 120 novos casos entre crianças e adolescentes de até 19 anos. A taxa média de mortalidade é de 42,9 óbitos por milhão de habitantes nessa faixa etária.
Uma trajetória de cuidado
Desde 1998, a AACC/MS acompanha milhares de crianças, adolescentes e famílias em Mato Grosso do Sul. Nesse período, o trabalho da instituição contribuiu para a mudança do cenário da oncologia pediátrica no Estado, com taxas de cura passando de cerca de 10% para aproximadamente 70%.
Em 2025, a AACC/MS realizou 17.910 atendimentos multiprofissionais e assistiu 323 crianças e adolescentes. No mesmo período, registrou 6.346 hospedagens, serviu 31.676 refeições, contabilizou 677 internações no Centro de Tratamento Onco Hematológico Infantil (Cetohi) e distribuiu 1.338 cestas básicas e sociais às famílias atendidas.
Para a instituição, cuidar também significa permanecer ao lado das famílias nos momentos mais difíceis. Por isso, o acompanhamento psicológico segue disponível mesmo após a perda, respeitando o tempo e a forma como cada pessoa vivencia o luto.
“Falar sobre quem partiu não prolonga a dor. Prolonga a memória. E toda criança merece ser lembrada pela história que deixou”, conclui Mirian.