Setembro Dourado e Amarelo: atenção aos sinais do câncer infantojuvenil também passa pelo cuidado com a saúde mental

Campanha aborda sintomas que podem ser confundidos com doenças comuns da infância e os impactos emocionais do diagnóstico e do tratamento

O câncer infantojuvenil tem desafios, mas também tem cura. Esse é o tema do Setembro Dourado 2026, definido pelo Ministério da Saúde como “O câncer infantojuvenil tem desafios, mas também tem cura: fique atento aos sinais”. A campanha destaca a importância de reconhecer alterações que podem passar despercebidas no dia a dia e buscar avaliação médica.

Para o triênio 2026-2028, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 7.560 novos casos de câncer em crianças e adolescentes de 0 a 19 anos por ano no Brasil. A estimativa de sobrevivência para essa faixa etária é de 64%.

A baixa incidência da doença na infância é um dos fatores que podem atrasar a investigação. Outro desafio é que os primeiros sinais muitas vezes se confundem com sintomas de doenças comuns nessa fase da vida.

Febre persistente ou recorrente, palidez, cansaço, manchas roxas sem explicação, dores no corpo ou nos ossos, dor de cabeça persistente, vômitos frequentes, perda de peso, aumento de gânglios e mudanças importantes no comportamento e na disposição estão entre os sinais que merecem atenção, principalmente quando persistem, se repetem ou não apresentam uma explicação clara.

Mudanças também podem aparecer no comportamento

Além dos sintomas físicos, alterações na disposição e no comportamento fazem parte do que os responsáveis conseguem perceber na rotina. Para a psicóloga da AACC/MS Rozenilda Barbosa, o impacto emocional pode começar já com a chegada do diagnóstico.

“Com a chegada do diagnóstico, a criança ou o adolescente pode ter sua rotina e seu universo infantojuvenil substituídos por uma rotina de hospital, exames e medicações”, explica.

Essa mudança brusca pode afetar a forma como a criança ou o adolescente se relaciona com o próprio corpo e com as pessoas ao redor. Entre as possíveis repercussões emocionais, Rozenilda cita ansiedade, isolamento social, mudanças na autoimagem e traumas, que podem variar de acordo com a idade.

Nem sempre, porém, o câncer apresenta sintomas evidentes. Alguns tumores podem se manifestar inicialmente por alterações específicas. Em alguns tumores renais, por exemplo, o primeiro sinal pode ser um caroço ou aumento de volume na barriga. Em crianças menores de cinco anos, um brilho diferente na pupila, semelhante ao reflexo de “olho de gato” em fotografias, ou o aparecimento de estrabismo podem indicar retinoblastoma.

Um sinal isolado não significa câncer. Na maioria das vezes, a causa será outra. O que deve ser investigado é a persistência, a recorrência ou a evolução de uma alteração. A observação dos pais e responsáveis pode ajudar a identificar essas mudanças e levá-las ao pediatra.

Diagnóstico também afeta a família

O impacto emocional não se restringe à criança ou ao adolescente. A rotina familiar também pode sofrer mudanças diante da necessidade de acompanhamento, tratamento e cuidados constantes.

“A doença também afeta toda a família, com sobrecarga para quem cuida, sentimento de culpa, impacto na vida dos irmãos e incertezas sobre o futuro”, afirma a psicóloga.

É nesse ponto que o Setembro Dourado se aproxima do Setembro Amarelo, que trata da importância do cuidado com a saúde mental. No contexto do câncer infantojuvenil, esse cuidado envolve acompanhar não apenas os efeitos físicos da doença, mas também as emoções que surgem ao longo do tratamento.

O acompanhamento psicológico pode ajudar a criança, o adolescente e os familiares a compreender e enfrentar essas mudanças. Segundo Rozenilda, o psicólogo atua como um facilitador durante as diferentes etapas do tratamento e oferece ferramentas para lidar com as situações que surgem nesse período.

“O psicólogo atua como um facilitador e um porto seguro ao longo de todas as etapas do tratamento”, destaca.

Para a família, reconhecer os sinais da doença e buscar atendimento diante de alterações persistentes faz parte desse cuidado. Informação e acolhimento estão presentes desde a investigação até o tratamento, com atenção também à saúde mental de quem enfrenta a doença.